Não tive irmãos porque nasci egoísta. Nunca quis ter porque sou ciumenta, mas adotei alguns pela falta que senti por não tê-los.
A gente cresce e tenta aprender a lidar com o “estar só”. Os primos que não consideramos não contam mais, os colegas de escola são apenas colegas, a maioria dos familiares moram longe e nenhum e nem outro convivem com a gente dividindo o mesmo teto. Graças!
Se eu tivesse com quem dividir amor, atenção e mesada seria mais triste do que não ter ninguém para compartilhar tudo isso.
Tempos mais tarde ser a única já não é mais privilégio, é solidão. É medo de perder o pouco que se tem, é angustia por não ter com quem desabafar e brigar. É estar isolado no próprio quarto, enquanto não há ninguém no quarto ao lado.
É ser destruído pelo próprio egoísmo, ciúme e falta.
Mas também é encontrar em quem atravessa a sua vida desajeitada alguém que é mais que amigo, é família. Os únicos que toleram nosso egoísmo, dão risada do nosso ciúme bobo e vem ao nosso encontro quando sentimos falta.
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