quarta-feira, 24 de março de 2010

A falta



O que é preciso fazer para que você pare de mentir?

E não me venha com o mesmo papo de sempre. Ele já não cola mais.
Nunca mais me fale de respeito já que você não o tem, vem e faz o que quer, depois some deixando uma carta dizendo que ainda sente falta. Suas palavras de amor já não me convencem mais.
Eu já havia me esquecido do seu sorriso cínico, mesmo antes de você ter partido.
Depois de dias sem felizmente dar notícias você reaparece e vem me procurar, como é que eu não vou lembrar? Se você faz questão de passar o tempo inteiro por aqui, me fazendo odiar esse teu jeito vulgar.
Todos os dias você dizia, o quanto inútil era amar, e agora aparece dizendo gostar.
Inventarei qualquer desculpa para não ter que te encarar de novo, mas ainda vou fazer você pagar pelo tempo que você me fez perder ouvindo todas as mentiras que você tinha a dizer.
Desculpe mas eu não sei fingir. Eu mudo quando preciso mudar.
E não vou te enganar, dizendo que quero que você seja feliz.
Se eu não sou mais a mesma então, o que ainda faz aqui?
Esse é o meu lado que você desconhecia.
Foi fácil gostar, mas o que você não sabe é que cinco segundos foi o tempo suficiente para fazer você não ser mais nada, além de algo estúpido que passou.
Sinto muito querida, mas esse teu rosto eu já não agüento mais olhar.

Já deu o que tinha que dar, não se preocupe, já escrevi seu nome na lista. E agora, você vai me deixar em paz?
Ah, como eu queria que você soubesse a falta que você não faz.

quinta-feira, 18 de março de 2010

Realidades e mentiras



Saber fechar os olhos
Em seguida abri-los e ver que aquilo não morreu
Apenas está em um sono profundo
E então acordo desses pesadelos no meio da noite
O fim estara sempre a espera do mais fraco
Não existe nenhuma saída
Não há como escapar do castigo
Quando abrir a porta poderei ficar de cara com a punição
A realidade é a maior dor
Mentira o pior dos venenos
Então que eu sofra de dor antes que morra envenenada.
Melhor se contentar com a realidade
Do que se afogar em mentiras contadas todas as manhãs
Mas se eu pagar por não ter escolha
Apenas lembre-se que em meu peito sempre bateu um coração
E me perdoe por jamais ter sido aquilo que você sempre quis
Não há mais tempo para mudar
Não há motivos para voltar e renascer das cinzas.

quarta-feira, 17 de março de 2010

July

Haviam casas inacabadas em uma rua cheia de pedras espalhadas por toda a parte, era o cenário perfeito para o surgimento de estórias de que por lá havia uma senhora, que passava por ali todas as madrugadas, e quando chegava ao fim da rua a sua alma cansada desaparecia, era levada pelo luto do céu, mas deixava ali, calafrios e a impressão de ainda estar presente ao lado de quem por algum motivo andava por essa rua depois da meia-noite. Claro que ninguém daquele lugar algum dia vira a senhora que sumia subitamente. A verdade é que ela jamais existiu. Mas quem passava por ali conseguia sentir os tais calafrios e a presença de alguém, porém ninguém jamais soube o real motivo por terem essas sensações ao pisar naquela rua estranha.



Em uma das casas mal feitas havia uma garota, chamada July. Ela era uma menina assustada, dormia apenas com as luzes acesas e era assombrada pelo passado, pelas suas maiores perdas e piores lembranças por quase todas as noites.
Numa madrugada qualquer July teve um de seus piores pesadelos, apagaram as luzes de seu quarto, ela se sentia suja e invadida por algo naquele escuro que não conseguia identificar. Ela se virou para o outro lado e tentou não fazer barulho ao respirar. O pesadelo daquela noite acabara ali, mas muitos outros vieram depois desse. E pior do que um pesadelo no silêncio da cinzenta madrugada é tê-lo em plena luz alaranjada da tarde.

Por várias vezes July andou por aquela rua tarde da noite, com os olhos transbordando e com o coração amedrontado que pedia por socorro para alguém que nunca esteve ali. Tudo o que ela precisava era de proteção, e por que não a protegeram nessas noites tão apagadas e nebulosas? Alguém tinha esse dever, e ela tinha esse direito, era só uma garota e não podia se defender de si mesma. Seus braços estavam cheios de dor, já não havia mais espaço para mais cicratizes e em sua garganta já não havia mais forças para suportar os nós.

Durante muito tempo July olhava seu rosto borrado no espelho despedaçado, sentia em seu corpo o frio da lâmina, a dor de um vício e chorava ao ver as marcas de uma vida perturbada e o sangue caindo pelo chão.

...

Quarto escuro, móveis velhos e empoeirados. Uma janela semi-aberta, emperrada e enferrujada. Perto de uma porta de madeira pequena e apodrecida há uma garota encolhida e sem noção alguma sobre o tempo. A garota estava lá a algumas horas, e é claro que ela não sabia disso, mal sabia como chegara até ali. Fome, frio e medo. Essas eram as únicas coisas que disputavam um espaço para se esconder naquela escuridão.

Minutos depois a garota ouviu um barulho vindo em direção a porta de madeira, alguém subia a escada que rangia a cada passo dado, pegadas barulhentas e pés que se arrastavam por cada degrau. A porta se abriu e quase despencou de tão velha. A silhueta de um homem aparecera ali e uma voz entrou naquele quarto pequeno sem nem se quer pedir licença para invadir o pouco espaço que havia naquele lugar:

- Olá? – indagou o homem que aparentava ser gigantesco perto daquela porta minúscula – trouxe isto para você.

Ele entregou a ela uma tigela de sopa e um pedaço de pão, pelo visto era a única coisa que ele tinha para oferecer.
A menina por sua vez pegou da mão do homem a tigela e o pão e tentou matar sua fome, aquilo não era o suficiente, mas era melhor do que nada.

- Como você se chama? – Perguntou o homem para a garota.

- July. Como... – A menina não sabia se falava ou se devorava os seus restos – O que estou fazendo aqui?

- Você não se lembra? – Indagou o homem observando atentamente July se afogar na sopa fria e sem gosto que ele havia preparado – Não consegue se lembrar de nada?

– Não, eu não consigo me lembrar de nada.

- Eu encontrei você na rua, desacordada e a trouxe para cá.

O homem se chamava James, e era bem velho daqueles bem ranzinzas. Amargurados pela vida infeliz, pela mulher que perdeu, pelos filhos que não teve e pela solidão que o acompanhou por tantos anos. Mas ele apesar de tudo tinha um coração que mesmo sendo velho, e apesar de fazer parte de um homem tão cheio de defeitos, era bom.
July foi por alguns instantes a filha que James jamais tivera e ele foi a proteção que a garota esperava naquela rua adormecida todas as noites.

- July, tem algo que eu quero lhe dizer. – Disse James com o olhar mais triste e o sorrido mais apagado. – Quero que você escute com atenção e não se desespere. Você ficará bem.

- O que? – Ela não fazia idéia do que James iria dizer, mas sabia que não era nenhuma boa notícia.

- Quando eu a encontrei na rua, havia uma carta com você. Era de sua tia, dizendo que estava de partida e que não poderia te levar, pediu desculpas por ter dado remédios para você dormir, e ter te deixado ali.

July morava com a tia, seu pai havia desaparecido antes de seu nascimento e sua mãe morreu no parto. Ela e a tia se davam bem, mas ela sempre sofreu com a ausência do amor dos seus pais e sempre sofreu por ser para sua tia sempre uma mentirosa, tudo que ela contava eram estórias de uma criança que não sabia diferenciar a realidade de um sonho.

O coração da menina foi esmagado por mãos de ferro e ela não conseguiu conter as lágrimas.
James a abraçou e disse que tudo iria ficar bem.

...

Cinco anos depois com o trabalho de July e a aposentadoria de James, eles conseguiram se mudar para uma casa melhor, a garota estava com vinte anos de idade, e o Sr. James mais velho ainda, porém, feliz por ter uma filha que fazia de tudo pelo seu mais novo pai.


Meses mais tarde, James faleceu. Mais uma perda na vida de July, mas essa foi a única perda que não a machucou tanto, pois sabia que em algum momento da vida dos dois eles foram felizes pois tinham um ao outro. E ela sabia que havia chegado a hora de James descansar, para sempre.

terça-feira, 16 de março de 2010


Depois de muita espera, o grande dia irá chegar. Foi confirmado, dia 20 de Abril será o dia do lançamento do novo CD da Fake Number. Preciso dizer que o CD está lindo. Muito bem produzido e muito bem trabalhado. O talento, e o amadurecimento dos integrantes fizeram de suas músicas um trabalho sensacional. Tudo foi feito com o maior profissionalismo e principalmente com muito carinho, por eles e por todos os envolvidos na produção do CD.

Conhece a Banda? Espere mais um pouco e compre o CD quando lançar. (Sei que é tentador, mas não baixe, se baixar, pelo menos compre depois de ver que o trabalho ficou ótimo)

Não conhece a banda? Então conheça o bom trabalho deles:

http://www.myspace.com.br/fakenumber

Pelos cantos escuros


Um dia, uma noite, e mais uma madrugada tentando esconder o vazio e se aquecer no frio.
Um sonho, uma fantasia, e mais uma história desconhecida por quem não sabe o que acontece pelos cantos escuros.
A realidade tão longe, e o desprazer em fingir que é bem melhor assim. E se pudesse escolher, talvez insistiria em não me contentar com o que de fato acontece por trás desses sorrisos que as vezes se vão. Um passo cheio de pressa e o caminho logo se torna breve. Eu nem se quer procurei por ventos que passam tranzendo e levando tudo aquilo que mais precisamos. O que não procuramos as vezes nos procuram, de alguma forma nos encontram e algumas vezes nos trazem alegrias nos momentos em que precisamos de um motivo para sorrir ou tristezas nos momentos em que achamos que não há como ser mais trágico do que já é.


Texto Por: Kimberlly Victoria Myers

domingo, 14 de março de 2010

A Menina Que Roubava Livros


Primeiro as cores.
Depois, os humanos.
Em geral, é assim que vejo as coisas.
Ou, pelo menos, é o que tento.

- Eis um pequeno fato -
Você vai morrer.

Com absoluta sinceridade, tento ser otimista a respeito de todo esse assunto, embora a maioria das pessoas sinta-se impedida de acreditar em mim, sejam quais forem meus protestos. Por favor, confie em mim. Decididamente eu sei ser animada, sei ser amável. Agradável. Afável. E esses são apenas os As. Só não me peça para ser simpática. Simpatia não tem nada a ver comigo.

- Reação ao fato supracitado -
Isso preocupa você?
Insisto - não tenha medo.
Sou tudo, menos injusta.

- É claro, uma apresentação.
Um começo.
Onde estão meus bons modos?
Eu poderia me apresentar apropriadamente, mas, na verdade, isso não é necessário. Você me conhecerá o suficiente bem depressa, dependendo de uma gama diversificada de variáveis. Basta dizer que, em algum ponto do tempo, eu me erguerei sobre você, com toda cordialidade possível. Sua alma estará em meus braços. Haverá uma cor pousada em meu ombro. E levarei você embora gentilmente.

- Uma pequena teoria -
As pessoas só observam as cores do dia no começo e no fim, mas, para mim, está muito claro que o dia se funde através de uma multidão de matizes e entonações, a cada momento que passa.
Uma só hora pode consistir em milhares de cores diferentes. Amarelos céreos, azuis borrifados de nuvens. Escuridões enevoadas.
No meu ramo de atividade, faço questão de notá-los.

... o único dom que me salva é a distração. Ela preserva minha sanidade.
Faço da distração minhas férias. Nem preciso dizer que tiro férias à prestação. Em cores.
Mesmo assim, é possível que você pergunte: por que é mesmo que ela precisa de férias? De que ela precisa se destrair?
O que traz à minha colocação seguinte.
São os humanos que sobram.
Os sobreviventes.
É para eles que não suporto olhar, embora ainda falhe em muitas ocasiões. Procuro deliberadamente as cores para tirá-los da cabeça, mas, vez por outra, sou testemunha dos que ficam para trás desintegrando-se no quebra-cabeça do reconhecimento, do desespero e da surpresa. Eles têm corações vazados. Têm pulmões esgotados.



(Markus Zusak)

"Não sei, deixo rolar. Vou olhar os caminhos, o que tiver mais coração, eu sigo."

(Caio Fernando Abreu)